A ERA DE "CAMALEÃO"

Em uma das últimas palestras que participei, uma pergunta feita pelo palestrante fez muita gente se remexer na cadeira e causou um desconforto: “Como colocar a mídia como parte da experiência?”.

Essa pergunta causou muito mais do que um desconforto. Afinal, até pouco tempo mídia era tudo aquilo que compramos: tempo, espaço, e agora? Como compramos experiência? Como combinar a experiência que precisamos causar com a experiência que temos? Como inserir a experiência na mídia?

Omnichannel

A discussão transcendeu. Não falamos mais só de on e off. Falamos de uma integração de ferramentas que, combinadas, devem gerar experiências. Experiência de consumo, de usabilidade, de vivência, de praticidade. Como inserir a mídia nesse contexto - depois de tanto tempo aprendendo e trabalhando no mesmo formato?  Como fazer com que a mídia não seja apenas uma “replicadora de propagandas”?

Essas indagações nos remetem ao passado e nos encorajam para o presente, e a pensar. Mudanças são necessárias em todas as áreas da vida, e sem exceção causam desconforto. Na maior parte das vezes são desafiadoras e muitas coisas passam pela cabeça, inclusive desistir.

Todo profissional de mídia que fez carreira no auge do off-line com certeza já se perguntou pra onde iria todo o conhecimento adquirido até então. E como ele pode ser útil hoje. Vou afirmar uma coisa, bastante ousada: esse profissional tem a faca e o queijo na mão, porque esse conhecimento adquirido é base pra tudo o que vem pela frente. E uma boa base faz toda a diferença, pois quando recebemos um dado, conseguimos entender de onde ele veio, e não apenas aceitar aquilo que veio pronto. A base torna o profissional um estudioso pelo novo, e isso permite a evolução e auxilia a mudança.

Mudanças

Minha carreira começou cedo. Era mais simples fazer mídia. Havia cinco grandes meios de comunicação pra trabalhar e todo o restante era considerado alternativo e inovador. Internet já existia, mas basicamente era um local de troca de e-mails. Redes sociais estavam nascendo e expandindo aos poucos. Muito pouco se falava em mídia digital – e não era nem de perto o “monstro” que é hoje.

Levou tempo para as coisas começarem a mudar. Mas quando mudou, foi como um furacão e na velocidade da luz.

Todos os profissionais de mídia como eu se encontram hoje no mesmo momento: não se adequar às mudanças e encerrar a carreira, ou se dedicar e adaptar-se às mudanças – e diferenciar-se no mercado? Escolhi a segunda opção.

Uma nova era

Gosto de dizer que estamos vivendo a era do “camaleão”. É preciso se adaptar, e com rapidez, porque enquanto escrevo esse artigo, alguma coisa já mudou. O digital se desenvolveu com tamanha rapidez que é preciso estudo e prática diária pra acompanhar a evolução. E o digital provocou uma (r)evolução tão grande na forma de se comunicar e interagir que no mercado automotivo, por exemplo, profissionais de marketing do setor já buscam como tornar a experiência off-line igual à on-line – a experiência on-line hoje é mais integrada e melhor que a off-line, e os pontos físicos ainda não conseguiram se adequar nessa qualidade de experiência.

Pensando que, até pouco tempo, o ponto alto da decisão de compra de um carro era seu test drive, a sensação de dirigir o carro, as idas à concessionária, hoje temos um público que só vai à concessionária pra fechar a compra do carro, porque toda a experiência positiva já aconteceu no ambiente digital, através da comunicação da própria marca, do conteúdo gerado, da opinião dos usuários, entre outras tantas ferramentas. A forma de consumir mudou, em todas as esferas.

Temos métricas novas, formas de fazer mídia diferente, um público com comportamento de consumo de informação cada vez mais complexo. Esse novo momento da mídia exige que nós, profissionais de mídia, sejamos questionadores e inovadores, além de cada vez mais estrategistas. Não é um caminho fácil, pois exige estudo e atualização constantes. As construções de planos, antes mais simples, hoje demandam aprofundamento e muitas perguntas. Demandam muita pesquisa, horas intensas de discussão. E esse esforço não pode ser unilateral. Vejo nossos parceiros, os veículos de comunicação, inseridos nesse novo momento, buscando atender às novidades e em como tornar seus produtos cada vez mais geradores de experiências.

Tenho orgulho de ser uma profissional “camaleão”. Porque é essa adaptabilidade que vai permitir com que existam planos melhores, mais coerentes e assertivos ao público, e o que é melhor, entregando resultado real aos clientes.

Vida longa aos “camaleões”! 

Destaques

  • A compra de mídia deixou de ser apenas agenciamento para compra de espaço e tempo na televisão. Hoje, está muito mais ligada a como conciliar experiência on e off;
  • Mudanças são necessárias para os profissionais de mídia, de forma a se adequarem à nova realidade;
  • A era de camaleão é uma forma de ilustrar a necessidade de adaptabilidade em meio à tantas mudanças de comportamento.